After the rain

Na Playlist agora:
Artista: John Coltrane
Album: A Love Supreme

Desisti de planejar posts e tentar escrever coisas legais para vocês. Como alguns perceberam, esse “lag” ia ser sempre muito grande e acredito que eu realmente não tinha muita coisa interessante para dizer que merecesse um planejamento de post como acontece com os blogueiros que levam seus blogs í  sério.
Eu me recolho aos textos e posts insignificantes e toco a minha vida…ou meu pseudo-blog, como preferirem.

Estou aqui sentado na varanda, ouvindo Coltrane e curtindo um pouco do clima mais ameno que Salvador tem apresentado esses últimos dias. Confesso que me sinto melhor, não só em termos climáticos mas como pessoa mesmo. O clima frio me acalma e tira um pouco do desconforto extremo que sinto com o calor insuportável daqui.

Engraçado, agora está tocando “After the Rain”. Mas parece que vai chover bastante hoje de noite. Já vejo algumas gotí­culas servindo de lente de aumento para alguns pixels na minha tela.

Por falar em after the rain, lembrei que conversei hoje com o rasta no trabalho sobre uma questão tempestuosa na minha vida durante um tempo: a docência. Sei que já escrevi sobre isso em posts anteriores mas a conversa de hoje serviu para relembrar e tirar mais conclusões sobre esse perí­odo. Ele veio tirar algumas dúvidas comigo a respeito de publicação de artigos e como relacioná-los no currí­culo Lattes. Eu não sabia responder, primeiro porque eu nunca escrevi nenhum artigo acadêmico e segundo porque o meu “lattes” está tão defasado quanto as leis brasileiras.

Sugeri que ele procurasse o Zé, amigo e professor doutor. Acadêmico de primeira. Um cara que curte o que faz. E foi a partir daí­ que eu comecei a pensar sobre a minha passagem pela docência e os contrapontos entre o acadêmico e o mercadológico.

Eu entrei na faculdade para trazer para os discentes (não confundir com decentes) um pouco da minha experiência de mercado. O lado de fora. A selva. Auschwitz.

Claro, tirando um pouco do exagero, queria ilustrar um panorama do que era o dia-a-dia de uma pessoa que trabalha com tecnologias e novidades em um lugar que as pessoas ainda vivem com a mentalidade medieval de mercado. É coisa difí­cil de se fazer. E acho que não consegui fazer tudo o que gostaria.

A docência, ao mesmo tempo que foi excelente pra mim, foi um problema grande. E até hoje, explicar essa coisa é muito complicada.

Foi excelente no sentido de conhecer muitas pessoas, de ter que ler ainda mais sobre coisas que eu adoro, de me sentir menos subutilizado ao conversar com um vocabulário com um ní­vel mais elevado e com pessoas idem.

Alguns dizem que a riqueza tem seu encantos. Tem mesmo. Mas a cultura e a intelectualidade tem mais ainda. Pelo menos pra mim. Uma pena que é difí­cil encontrar pessoas que compartilhem desse pensamento atualmente.

Tudo seria muito lindo se eu não fosse um cara tão intolerante.

Foi nesse ponto que o bicho pegou. Eu não soube lidar com indiferença e deitar í  noite com a consciência tranqüila. Não fiz nada errado ou pelo menos não o fiz conscientemente.

A imaturidade dos alunos foi um dos fatores determinantes para minha desistência na docência. Claro, não todos…mas uma grande parte. E eu não soube lidar com isso. Talvez a imaturidade tenha sido minha.

No caso do Zé, acho que isso não é um problema. Ele tem maturidade suficiente e equilí­brio para lidar com esse tipo de coisa. Gostaria de ser assim também. Eu acho.

Eu decidi dedicar meu tempo para meu trabalho. Para meus livros à noite em casa. Minha esposa. Meus filmes. Até mesmo dormir. A decisão de ter abandonado a docência foi muito acertada. Ganhei em qualidade de vida, coisa que o salário de docente não pode comprar.

Confesso também que fui assediado diversas vezes para voltar. Por diversas pessoas. Minha resposta sempre foi a mesma: ainda não dá. Não estou preparado para ser professor de novo. Ou simplesmente não quero mais.
Acho que a relação tinha que ser prazerosa para todos. Para mim, pela minha intolerância, não estava sendo.

E assim, passei a noite pensando no assunto. Relembrando. Tentando analisar o porque da minha balança de prós e contras pesou tanto pro lado dos contras. Infelizmente. Ou felizmente para alguns alunos.

Enquanto isso, Coltrane faz a festa dele por aqui. E eu me lembro que eu ouvia isso no carro, voltando para casa, quando aconteciam aulas e situações chatas. Mas a chuva passou.

Agora tá tocando “My favorite Things”. Uma delas é escrever. Acho que esse post marca minha volta ao blog.

Me dêem as boas vindas.

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