Bomba-relógio
Diante de tantas atividades e responsabilidades cotidianas, não só laborais mas sociais e culturais, sinto-me a cada dia um protagonista de diferentes condições, que de certa forma castram por motivos de ordem social, os comentários e observações de meu humor ácido.
Os pensamentos instantâneos e oportunistas frustram-se diante da censura imposta ao longo do aprendizado das relações e submetem suas angústias aos arquivos da insatisfação, que nada mais são do que repositórios de raiva contida.
Diferentemente das atividades vulcânicas, o estopim libertário em alguns casos pode ser uma pequena faísca ou até mesmo um cheiro de fumaça…descortinando assim uma imensa reserva de argumentos e discursos camuflados na tentativa de validar sua melancólica existência.
A intolerância e a agressão verbal dirigida condiciona o protagonista a experimentar sensações e pseudo-realidades fundamentalistas em um momento unicamente emotivo.
Ao retornar ao seu estado normal de consciência, imerso em um monólogo analítico, desculpa-se por imposição da condição de compatibilidade social e disponibliza novamente um campo desfragmentado para novos abastecimentos. Um verdadeiro paiol.
Esse sofismo todo era só pra dizer que, quando a gente enche o saco, explode e depois volta ao normal até encher de novo.
Vou ouvir Miles.












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