Redes Sociais e a exposição pessoal

Já faz um bom tempo que percebo alguns questionamentos sobre a nocividade da alta exposição das vidas e intimidades das pessoas nas redes sociais. Bem mais que os questionamentos, a exposição tem tomado proporções gigantescas e, em alguns casos, gerado grandes problemas para as vítimas desse comportamento.

Recentemente fui entrevistado pelo portal Infonet para falar um pouco mais sobre os prejuízos que isso tem causado para muitas pessoas numa matéria entitulada “Na rede: especialistas alertam para regras de etiqueta”, de autoria da jornalista Eliene Andrade.

Transcrevo abaixo a entrevista:

P.: Com a exposição desenfreada dos usuários a imagem pessoal fica prejudicada?
R.: Na maioria dos casos sim. Há os que publicam e, de forma consciente, sabem dos riscos que correm ao expor determinados aspectos de suas vidas e os que não possuem essa consciência. Estes últimos são, sem sombra de dúvidas, a maioria.

P.: Como você avalia a forma do uso dessas ferramentas através de usuários que postam suas intimidades, relações, planos, informações trabalhistas, fotos e vídeos, não pensando nas consequências que tudo isso pode acarretar?
R.: Vivemos em uma sociedade atormentada pela insatisfação e ansiedade. Essas sensações são potencializadas quando comparamos nossas vidas com a vida de outras pessoas nas redes, que projetam em suas publicações um cotidiano extremamente feliz, uma intelectualidade privilegiada e uma beleza constante mesmo com a ação implacável do tempo. Um tipo de adolescência virtual permanente.
Isto representa, na verdade, uma demanda por atenção, por consequência do vazio interior que requer uma identidade conferida de fora: as outras pessoas me enxergam e por isso tenho a certeza da minha existência.
Assim, para atender a essa sensação de pertencimento à um grupo, ser aceito por seus pares e fugir da trágica consciência de sua finitude, as pessoas expõem suas vidas (reais ou fictícias) na busca pela própria afirmação sem se preocupar com os problemas que isso pode gerar.
Parece uma visão pessimista das redes. Mas essa desorientação é fruto da nossa vida corrida moderna.
Publico, logo existo.

1 Comment

Leave a Reply