Entrevista Revista Webdesign Ed.54
1 – Quando falamos de brainstorming, as pessoas logo relacionam tal conceito com a prática de um grupo gerando uma grande quantidade de idéias. Dentro de um processo de criação de um projeto interativo, qual seria a principal função desta técnica?
De fato o brainstorming é uma técnica criativa importante para o desenvolvimento de um projeto interativo e sua relevância está em trazer referências e associações que permitam um resultado mais efetivo na comunicação. Essas referências e associações fazem parte do repertório de experiências de vida de cada participante, que juntos formatarão algumas idéias e/ou linhas de comunicação apropriadas para o contexto do projeto.
Desta forma, se o brainstorming for utilizado de forma correta, certamente os resultados serão valiosos.
2 – No artigo “Equipes de criação, desçam do saltoâ€, Leonardo Oliveira, gerente de operações da OgilvyOne Brasil, lembra que “…se começarmos uma reunião de brainstorming decididos a entender primeiro quem é e por onde anda o cliente do nosso cliente, ao invés de sair formulando conceitos descolados, saltamos a primeira e mais dolorosa barreira para unificar a linguagem da campanha e buscar soluções diferenciadasâ€. Pensando nisso, de que maneira o briefing deve ser utilizado nesta dinâmica de criação?
O briefing é um documento introdutório do projeto, com solicitações e observações feitas geralmente pelo atendimento da conta e pelo cliente. São informações de extrema importância que irão nortear a discussão e a geração de idéias, porém, não deve ser encarado como limitador nem inquestionável. Há espaço no processo criativo para novos olhares no problema comunicacional e sugestões de novos caminhos que talvez não tenham sido percebidos pelo próprio cliente.
3 – Um dos preceitos básicos na dinâmica de um brainstorming é a ausência de críticas e julgamentos sobre as idéias expostas pelos membros de um grupo. Como tornar esta regra efetiva dentro desta prática?
Não há muito o que fazer a não ser expor essa regra no início.
Os participantes devem ter em mente que a técnica é um exercício criativo e que serão expostas idéias de todo tipo. Críticas e julgamentos não devem em primeira instância fazer parte do processo, pois dentro da própria técnica do brainstorming algumas idéias que pareçam ser bobagens podem gerar excelentes campanhas. Criticar uma idéia pode inibir um participante e consequentemente a geração de novas idéias.
Várias campanhas bem sucedidas foram concebidas a partir de idéias que pareciam incabíveis para um produto ou serviço.
4 – Quais são os outros requisitos básicos para a realização de um brainstorming? Existe um local, quantidade de participantes e tempo ideais, por exemplo?
É sempre bom exercitar um pouco a mente antes de começar um brainstorm. Não é regra mas ajuda a chegar na geração com a atenção e as idéias aquecidas. Um jogo de perguntas e respostas ou de mímicas pode ajudar.
Sobre a quantidade de pessoas, acredito que um grupo muito grande talvez não gere resultados tão bons quanto um grupo de 5 ou 6 pessoas.
É importante que haja no local um quadro ou um papel grande para que as idéias sejam todas anotadas ou desenhadas. Desta forma, alguns membros do grupo podem desenvolver novas idéias o aprimorar as que foram expostas através de “carona”.
Para isso, importante que haja um coordenador, que vai controlar a dinâmica do exercício e um membro para anotar as idéias.
Algumas regras podem ser estabelecidas para o brainstorming do tipo: mínimo de 50 idéias, utilização de mímica, falar em menos de 10 segundos. O mais importante é deixar a sinergia em alta e fazer com que as pessoas participem ativamente.
Não há um tempo ideal para a realização do brainstorm mas acredito que esse tempo pode ser estabelecido pelo coordenador de acordo com a dinâmica do grupo. Há grupos que podem gerar idéias por horas seguidas. Outros que em 30 minutos produzem muito bem e depois diminuem o ritmo criativo. Melhor então parar e começar no dia seguinte.
5 – Segundo os especialistas, um brainstorm ocorre geralmente em três fases: geração, clarificação e avaliação. Quais elementos são essenciais para que tal dinâmica aconteça de maneira fluida e consistente?
A coordenação do brainstorm é o elemento essencial.
Se você souber explorar o potencial do grupo em um tempo determinado e de forma espontânea pelos membros, com certeza terá excelentes resultados.
6 – Os especialistas apontam que um brainstorming pode ser realizado de duas maneiras: de forma estruturada, onde todos podem se manifestar, através de uma ordem pré-estabelecida de participação; e de forma não-estruturada, cuja apresentação de idéias vai ocorrendo naturalmente, sem um fluxo determinado de participação. Quais são as vantagens e as desvantagens de cada um dos modelos? E quando aplicá-los?
Acredito que isso dependa bastante do modelo do projeto e do tipo de resultado que se espera alcançar. Porém, acredito que a forma não-estruturada seja mais espontânea e permita aos membros utilizar a técnia de carona, sem ter que esperar sua vez de falar. Em um grupo de 5 pessoas não haverá confusão pois será mais fácil coordenar o fluxo de exposições das idéias.
Eu nunca fiz um brainstorm com ordem pré-estabelecida de participação. Talvez, em um grupo maior de pessoas, essa técnica funcione melhor.
7 – No artigo “Cuidado com o oba-oba criativoâ€, Ricardo Figueira, vice-presidente de criação da Isobar Latin America, analisa a prática do brainstorm em agências brasileiras e internacionais. No texto, sobre o comportamento das pessoas, ele ressalta que “…algumas são mais imediatistas, outras práticas, umas racionais, existem também os viajandões, os intimistas e até os Barbárvores que levam 300 anos pra falar, mas quando falam vale cada segundo em que permaneceu caladoâ€. Existe algum parâmetro na hora de selecionar os participantes de um brainstorming?
Não necessariamente. Eu acho muito importante que as pessoas relacionadas ao projeto estejam participando do brainstorm. Mas isso não impede que alguém de outra área possa participar, mesmo alguém que não seja da agência. Uma visão completamente “de fora” do processo pode dar excelentes idéias e trazer novas perspectivas para olhares acostumados com um determinado contexto.
8 – Além da prática em grupo, é possível realizar um brainstorming individualmente. Quais são os cuidados necessários para que a sua produção acontecesse com a mesma eficácia das práticas realizadas em grupo?
Sim, desde que você assuma o papel de coordenador e participante e que você estabeleça as regras que não prejudiquem sua força criativa. Obviamente, as idéias e associações serão totalmente condizentes com o seu repertório de experiências e talvez isso seja até benéfico se você fizer antes de uma reunião com o grupo. Concordo plenamente com o Ricardo quando ele sugere que o brainstorm seja feito com as melhores idéias que cada um tenha pensado previamente. Ao expor para o grupo, as interferências dos outros membros podem potencializar uma idéias já excelente.
9 – Após a realização de um brainstorming, de que maneira os seus resultados devem ser aplicados em um processo de criação? Como você aplica esta dinâmica em seu trabalho?
Após a análise e escolha da melhor idéia, o grupo passa a desenvolvê-la tecnicamente. Um documento é gerado, como se fosse um manual de projeto, onde estão contempladas as informações do briefing e os resultados do braisntorm. Todas as idéias que foram geradas são guardadas também, pois, poderão ser analisadas em outro momento e talvez utilizadas ou adaptadas. Absolutamente tudo o que for relativo ao projeto será contemplado nesse manual.
10 – O avanço da tecnologia trouxe algumas ferramentas e aplicativos, como o MindMeister, que possibilitam a realização de um brainstorming on-line. Você acredita na eficácia de reuniões criativas realizadas virtualmente ou a presença física para a troca de idéias ainda é indispensável?
A presença física é indispensável na minha opinião.
As expressões, tons de voz, gestos, anotações, frases soltas…isso tudo faz parte do processo criativo. Além da empolgação e das regras divertidas.
As vezes não é nem preciso falar nada. O ambiente criativo gera uma aura de simbologias em que todos presentes percebem até mesmo inconscientemente
11 – Quais são os erros mais comuns na execução de um brainstorming? Como evitá-los?
O erro mais comum é fazer o brainstorm sem saber exatamente o que se está criando.
O briefing bem feito já é um “corretivo” para esses casos.
12 – Quais dicas bibliográficas você daria para o profissional que deseja se aprofundar neste assunto?
O que eu sugiro é que ele participe de brainstorms. Não acredito que ele vá se aprofundar lendo sobre criatividade.
Em todo caso, já que é para dar uma dica, talvez o Criatividade e Grupos Criativos, do Domenico de Masi seja interessante.



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