Mestre errante
Era apenas um maluco.
Pelo menos era visto assim por todos que passavam por ele. Desrespeito.
Em seu mundo próprio, peregrinava pela cidade construída por ele e que agora, insuportavelmente e sem seu controle, crescia sem prumo e sem esquadro. Um absurdo. Talvez seja por isso o motivo de tantas reclamações durante seu trajeto. Reclamações.
Seu aspecto ranzinza vez em quando assustava pessoas. Seu olhar fixo e reprovador, demonstrava a insatisfação por tudo o que fizeram com sua cidade. Ele havia construído. E agora…
Mais reclamações.
As horas passavam e mesmo sem notar, caminhava sem rumo, trajando aquele que, em outros tempos, era seu uniforme de trabalho. E na sua inconsciência perfeccionista, carregava seu capacete branco. Simbolicamente representando seus pensamentos límpidos, sua mente pura, o vazio de imposições sociais que não mais ali habitavam.
E ele era o mestre. Respeito.
E com tudo o que fizeram, tornou-se o peregrino. Mente limpa. Mendigo. Maluco. Lhe restara apenas seu símbolo. Seu capacete e suas reclamações.
Alguns dias atrás, deitou-se no seu barracão de papelão. Cobriu-se com a noite e contou as estrelas para certificar-se de que nem tudo puderam mudar. Nem tudo puderam alterar de sua criação. Mais algumas reclamações.
E em seu sono tranquilo, lembrou-se de ainda pequeno carregar latas de arenoso para seu pai. Que sorria para ele. Menino franzino mas será um bom mestre. Ainda dormindo sorriu, certo de ter feito aquilo que seu pai desejava. Mais uma obra concluída em sua vida.
Abriu os olhos. Os primeiros raios de sol banhavam a sua cidade. Que já não era mais sua.
Levou sua mão esquerda acima da cabeça e tateou o vazio.
Levantou assutado e após alguns segundos percebeu que seu símbolo, sua mente límpida, o único objeto que conferia alguma identidade a ele, havia sumido.
Tentou correr mas não sabia pra onde. Tentou reclamar mas o desespero era maior e calava sua voz.
Olhou para o céu implorando uma resposta.
Deitou-se novamente no papelão e em posição embrionária lembrou-se de seu pai. Depois, chorou.










Hey Samurai!
Nossa! Onde vc esconde essa perspicácia ímpar, hein? (Só pra te dar uma chance, se encha não, viu? Rsrs)
Mas tipo, lembrei da maravilhosa Cidadão, de Zé Ramalho! (Eu e minhas analogias…rsrs)
Muito bom mesmo o conto, tens futuro hã…rsrs
Retrato fidelíssimo da “fagocitose burra ” que nos acomete!!
(Chega! A pessoa se empolga e já viu… sai um livro…)
Bjin.
Laert,
de fuder seu texto…. vc escreve muito bem, é gostoso de ler.
continua postando coisas assim, simples e cheias de poesia.
O texto está ótimo! Parabéns, vc deveria explorar mais esse seu lado…beijinhos
(rsrs) mesmo depois daquele testamento que te mandei pelo msn (depois eu fiquei até com vergonha)… vim registrar, aqui, um Feliz Natal! Tudo de bom, harmonia, saúde e paz.
Cara, muito bom mesmo!
Algumas vezes eu tento desenvolver algum texto assim, com bastante significado e tão bem elaborado, mas não é coisa fácil.
Talento + blog = isso aí que a gente lê e viaja legal.
Parabéns!
Belo texto.
O cidadão pode não ter muitas coisas.. mas preza pela sua consciencia. Chamar esses individuos de malucos.. é saber que todos nós estamos do lado oposto… ou não!
Caramba…
Meu caro, onde você encontra esse negócio que andas queimando, hein!?
Como diria nosso amigo Rick Brayner: “Viaaaageeemmm….”
Sério agora – se é que eu consigo ser sério por muito tempo….
Post maravilhoso!
Nos deixa parados, pensando, analisando, refletindo…
E com uma saudade….
A propósito…
Para os mal – intencionados de plantão….
“saudades” do MEU PAI!!!!
Já tinha dito e repito: o texto está totalmente show Laert.
Feliz Natal
Cara, muito bacana a crônica, dá-lhe!
Velhinho, você escreve muito bem. Adorei o post!
beijos
que coisa mais chique viu! Amigo , vc é um escritor nato!!!
Quero breve uma sessão de autógrafos na Saraiva viu! rsrsrsrsrsrrs. Continue isso , talento assim não pode deixar passar. Ta aprendendo comigo né velhinho???kkkkk
beijos
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Passado
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