Minha Hist�ria da Arte
Cada dia � um dia diferente.
Cada detalhe, acontecimento, conversa, job…cada coisa � um elemento que fica pintado em um quadro que � finalizado antes de dormir.
J� passei por v�rios per�odos. J� conheci muita gente.
J� deixei registrado em Altamira, na Espanha, pinturas rupestres, aproximadamente 30.000 anos antes de Cristo e aprendi como pintar da monocromia para a policromia. Eu era um animal por assim dizer. Rude e instintivo. Um verdadeiro animale irracionale. Foi um est�gio muito bom.
Depois de um tempo eu fui pra Mesopot�mia…ali entre o rio Tigre e Eufrates, onde a caracter�stica principal da minha arte era representar a religiosidade e o poder dos governantes. Um galera misturada mesmo…tinha gente de tudo que era canto al�.
Quando vi que eu precisava crescer mais, fui pro Egito na esperan�a de ser reconhecido com um Fara�. Ledo engano. Trabalhei feito um condenado como Diretor de Arte de Rams�s. E o pior � que, com as caracter�sticas religiosas e funer�rias, eu s� fazia jobs em tumbas. Saca aquela galera que ficava desenhada de lado? Pois �…foi job meu. Muito grosseiro…baixo astral mesmo. Era Death Metal o dia todo.
A� eu, que j� estava de saco cheio, resolvi ir pra Gr�cia, pra viver enrolado em toalha e beber vinho o tempo todo. Chegando l�, comecei a pintar coisas mais interessantes e alto astral. Retratava a natureza e utilizava as formas com equil�brio. Finalmente comecei a usar a perspectiva…j� estava enjoado de trabalhar com figuras chapadas, sem emo��o nenhuma. Conheci uma galera legal…Mir�n, Policleto, F�dias, Prax�teles…pessoal gente boa e que curtia fazer umas est�tuas de mulheres…foi massa mesmo…aprendi muita coisa e vi uns shoppings centers da f� animais. O Partenon era um deles. Acho que era do pessoal da Igreja Universal, que tamb�m j� tava constru�ndo a acr�pole de Atenas.
Bom…quem tem boca vai a Roma…por isso, segui pra l�. Quando cheguei vi uma forte influ�ncia dos gregos l�. Os romanos at� copiavam as est�tuas de mulheres que os br�ders gregos faziam…impressionante…pl�gio grosseiro. Mas eu entendo que tudo isso foi fruto do dom�nio Persa. Deixa l�. Eu s� sei que o pessoal babava muito o ovo do pessoal do governo e vivia constru�ndo pr�dios p�blicos para homenage�-los. Era pra isso aqueles impostos todos? Porra…sacanagem. E o pior de tudo � que eu tava em Pomp�ia…teve uam erup��o l� que soterrou a cidade toda….sa� cheio de queimadura. Passei uns 3 dias internado no COT.
Fiquei de saco cheio de trabalhar assim…sem condi��es e s� me lenhando. Como bom leonino, decidi que eu deveria ser o centro das aten��es e at� do universo. Decidi ser renascentista.
Obviamente, comecei a trabalhar de forma mais met�dica e utilizava muito da matem�tica e os conhecimentos cient�ficos para trabalhar melhor. Utilizando perspectiva e tal para poder retratar a realidade de forma mais fiel poss�vel. E a galera chegava com umas novidades tipo tinta �leo. Muito massa.
Os br�ders faziam muita coisa legal. Tinha um cara chamado Leonardo da Vinci. Porra…o cara era inteligente pra caralho e muito talentoso. Pintou uma mulher (at� questionaram outro dia se era mulher ou n�o) chamada Gioconda. E tinha o Michelangelo, que pintou o teto de uma igreja de uma par�quia l�. Muito massa.
Depois desse culto ao ego e � beleza, fiquei um tempo baixo astral…comecei a ver as coisas meio distorcidas e bizarras. Michelangelo tamb�m ficou meio depr� e chegou a pintar o Ju�zo Final. Eu soube que o pessoal dos tribalistas tinha chamado essa �poca de Maneirismo. Que saco essa rotula��o.
Depois do quase suic�dio, resolvi voltar a vida e por isso queria colorir tudo…muita cor, muito movimento. T�pico de quem sai de uma fossa mesmo. Pode ter certeza…quando voc� achar uma velha na rua toda cheia de cores, muita luz e muita sombra, essa era maneirista e passou a ser barroca. Foi quando apareceu um amig�o mesmo chamado Diego Vel�squez e fez uma obra muito massa, chamada As Meninas, que era, na verdade, o pessoal da banda Rocamoma. O engra�ado � que s� tinha uma mulher na banda…mas…deixa l� de novo.
Enfim…horm�nios � flor da pele…comecei a fazer umas coisas mais sensuais, mais curvas e cheias de detalhes…era o Rococ�, que tem esse nome at� hoje e eu n�o sie porque. O que importa � que a galera fazia tudo muito rabiscado, cheio de firulas…mas foi legal aprender isso tudo. Muito massa mesmo.
Pra n�o dizer que tudo era novidade, comecei a resgatar algumas coisas que eu tinha guardado da �poca que eu tava na Gr�cia e em Roma. A�, numa jogada de Marketing muito legal, contratei uma ag�ncia de Publicidade para vender esse per�odo como Neocl�ssico. Igual ao que o pessoal faz hoje em dia com alguns empreendimentos imobili�rios. Realmente isso rendeu uma boa grana e finalmente eu me mudei pra um apartamento maior (aluguel, claro!). A� j� viu n�? Com apartamento maior, todo decorado, come�aram a aparecer muitas mulheres…e a� eu fiquei rom�ntico. Retratava a natureza e as formas de forma subjetiva e instrospectiva. Tudo era lindo. Tinha um br�der que sa�a comigo pra pegar umas mul� que tamb�m trabalhava muito bem…era o Constable, que pintou “A carro�a de feno”, simplesmente magn�fico o quadro e que eu gosto muito.
Depois de umas desilus�es amorosas eu resolvi ser radical. Ca� na real e resolvi ser realista (que trocadilho infame). Tudo era representado como a realidade. Objetividade cient�fica nua e crua. Num queria saber de porra de romantismo nenhum. Se quiser romance que v� ler um livro. Eu j� tava era puto.
Da� conheci uma turma legal e fiquei Impressionado. Degas, Renoir e Monet eram os 3 patetas. Sacaneavam todo mundo mas trabalhavam muito bem. Mas ainda retratando a natureza e utilizando t�cnicas para pintar muito bem a luz. Por isso que eles s� pintavam de dia, para aproveitar a luz natural.
Depois disso, essa galera come�ou a debandar…foi quando surgiram as drogas. Putz…a galera era insana mesmo. Cada um pro seu canto…cada um fazia seu trabalho. Tinha um br�der muito louco chamado Van Gogh…rapaz…s� vivia chapado e todas as suas pinturas pareciam que estavam borradas…acho que ele fazia aquilo primeiro no Photoshop e depois mandava imprimir na Uranus…grosseiro.
A galera ent�o, depois que se tratou em uma cl�nica de recupera��o para drogados (a mesma que tratou Rafael do grupo Polegar) entrou numa de Expressionista. Na verdade, o expressionismo era tudo e nada e porra nenhuma ao mesmo tempo. E eu at� hoje n�o entendi e nem sei que rumo tomou. Munch, Modigliani e Giacometi estavam por a�…nesse esquema.
A� n�o teve jeito, n�? Depois a galera ficou muito conservadora…muito quadradona…foi quando come�aram com essa conversa de Cubismo (l� ele). Era quadrado pra l�, recorte pra c� e ficava tudo quadrado. Quina como a porra…e tinha um outro br�der que era um outro “l� ele” grosseiro. Picasso (l� ele). Eu hein…que fam�lia escr�ta da porra. Deixa l� mais uma vez…
Pra aproveitar o clima de “l� ele”, a galera que n�o � nem um pouco escr�ta, inventou o Dada�smo (l� ele porra!!!!). Imagine…era sarcasmo, absurdo, grosseria pra tudo quanto � lado. Pessoal insano mesmo. Chamavam de revolucion�rio, an�rquico e anti-capitalista…eu tava numas de jogar Playstation em casa e a galera na rua tirando essa onda de cara pintada. Que saco…
Claro…se achando os donos da verdade e cheios de ideais revolucion�rios, o pessoal voltou a usar drogas…a� veio o Surrealismo. Associa��es irreais, bizarras…provocativas…tudo drogado, tudo fora da realidade. Eu fiquei triste por isso. Perdi v�rios amigos de overdose. Mas…deixa l� mais outra vez.
Com o aparecimento de Andy Warhol, Maddona e Michael Jackson, inventaram o Pop-art. Hist�ria em quadrinhos, m�dia visual e impressa s�o refer�ncias pra esse per�odo.
Pronto…depos disso, chegamos na arte conceitual. A obra deve ser valorizada por s� s� e da� surgiu as instala��es, que s�o espa�os de intera��o entre a obra e o espectador. Por isso que rola v�rias exposi��es e essa baboseira toda que voc� j� conhece.
At� hoje rola isso…e eu estou nesse espa�o, relatando isso tudo e deixando que agora, para complementar o ciclo dessa grande “obrada”, que voc�, espectador, interaja.
Hoje eu sou um artista virtual. Um Tamagochi das artes digitais. E muitos outros est�o fazendo a mesma coisa. Contarei a meu filho as minhas obras e como a din�mica de crescimento exponencial nos leva a trabalhar cada vez mais. A caracter�stica desse per�odo? Com certeza n�o � retratar a realidade, n�o � retratar a natureza, n�o � usar perspectiva…a maior caracter�stica desse per�odo � que a arte est� tomando tantas formas que vai acabar se dissolvendo no mar da informa��o, que � a relev�ncia contempor�nea.
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