Romani ite domum
“Romani ite domum”
Uma das coisas que eu gosto de fazer é assistir um filme novamente depois de alguns anos de tê-lo assistido pela primeira vez. Faço isso com bastante frequencia e devo dizer que tem sido uma experiência muito interessante para mim. Re-assistir um filme é um exercício interessante de percepção e referências para meu repertório mental.
Explico: assistir novamente um filme é trazer à tona a percepção que você teve quando o assistiu pela primeira vez e comparar com os detalhes, percepções, análises, referências que você tem atualmente. O seu repertório mental é diferente, pela própria história que você construiu desde o primeiro contato com o filme.
Ultimamente tenho comprado muitos filmes, não só para tê-los em minha coleção mas para revê-los e fazer a comparação de contextos. É surpreendente como são visões diferentes de uma mesma pessoa. A maturidade, a atenção, as referências não-percebidas outrora dão um gosto novo ao filme antigo e conhecido e reconfiguram todo o repertório mental sobre ele.
Hoje foi a vez de um clássico do Monty Python de 1979: A Vida de Brian.
A história todos já conhecem: um romano bastardo que nasce no mesmo dia que Jesus e é, em determinado momento da vida, confundido e seguido como o Messias.
Mas o interessante comentar aqui é o quanto o filme tem analogias (claro que são analogias em minha cabeça) com um determinado país da América do Sul e o quanto eu dei muitas risadas pensando nisso.
Em uma das cenas há um apedrejamento, que é um espetáculo onde muitos da cidade vão apreciar. Mulheres são proibidas de participar, porém, elas utilizam barbas postiças e dão um jeito para participar alegremente do evento. É aquela coisa da contravenção e o jeitinho que nós conhecemos.
Logo após há uma cena onde um ex-leproso saudável e saltitante pede esmolas. Isso mesmo: ex-leproso, que foi curado por Jesus e agora mendiga pelas ruas. Daí você pensa: mas se ele tem saúde e pode trabalhar, por que pede esmolas?
Há…acho que você também conhece isso de algum lugar, hein? Será?
Talvez sem o assistêncialismo direto do governo, o parasitismo da Bolsa Família é o que representa a tentativa de capitalização dos mais necessitados. Na verdade o termo necessitados nem se aplica. Acho mais interessante trocar por oportunistas ou “enquadrados legalmente” nos pré-requisitos para obtenção da bolsa.
O brasileiro não é bobinho. Ele sabe muito bem quando pode dar um jeito de ser contemplado com ajudas ou muletas que deixam sua perna e cabeça doentes.
Em outra cena há uma discussão sobre as ações que o “partido político” em que Brian se junta devem ter para exigir seus direitos (detalhe: é um plano de sequestro da esposa do imperador). A Frente dos Povos da Judéia, assim denominado, critica raivosamente o Partido dos Povos da Judéia, o Partido do Povo Judeu e outros que eu não lembro o nome agora. Me lembrou bastante as siglas que conhecemos e que são a mesma coisa: PDT, PT, PSDB, PMDB, PDC, PQP, etc…
Enfim, curti muito ter assistido o filme novamente e dei muita risada fazendo essas analogias com a nossa Roma. Você também deveria experimentar fazer isso à s vezes. Tenho certeza de que fará uma outra leitura dos filmes que você mais gosta. Faça e me diga o resultado.









Sempre se acrescenta alguma coisa ou se entende melhor outras.
Eu acho que ainda não disse, então: Feliz ano novo!rs
bjo
Todo bom filme deve ser visto mais de uma vez, justamente os bons filmes possuem camadas, camadas essas que muito dificilmente são percebidas na primeira exibição. E pesa também referencias que estão diretamente ligadas ao final, como pistas do que estão por vir, mas só percebemos depois que já sabemos como foi o desfecho.
E rever nos dá um gostinho de ‘caraca como não vi isso antes’.
Vida de Brian está na hora de rever.
Adoro o grupo. Tenho um box para rever sempre que der vontade. Tem uma cena onde estão tentando julgar uma suposta bruxa, onde até nariz postiço põem na coitada. É engraçadíssimo!
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Passado
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