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sk8 4 fun, sk8 4 ever…

3 June 2009 7 Comments

sk84fun

Não me lembro exatamente quando, no início de minha adolescência, comecei a gostar de uma brincadeira divertida que muitos meninos brincavam em seus playgrounds e nas ruas menos movimentadas. Acredito que deve ter sido mais uma das influências malígnas de meu amigo Ricardo. Afinal, lembro claramente da turma brincando no condomínio onde ele morava.

Houve um aniversário no condomínio onde todo mundo estava com um skate e brincavam na rua. Pedi a minha mãe que comprasse um skate pra mim. Fomos no shopping e comprei um skate: um H-Prol se não me engano. O shape ainda não era daqueles grandões…era um skatezinho mais barato. Todo mundo de skate gringo, Sims, Powell Peralta, etc…Mas tava valendo. O importante era mesmo ter um skate para brincar com a “patota”.

Acho que a partir daí que minha paixão pelo esporte começou a tomar forma. Para o pessoal, não passava mesmo de uma brincadeira de menino rico que ganhava um skate e depois abandonava embaixo da cama. Comigo foi diferente.

Lembro que eu e Ricardo ainda tentamos fabricar os shapes que usávamos. Cortávamos a madeirite e através do aquecimento e resfriamento rápido, conseguíamos entortar o “tail” para que o shape pegasse a forma mais profissional. Colávamos a lixa, os eixos e “voilá”, prontos para umas sessions.

Algum tempo depois, ganhei de aniversário um skate mais “amador”. O anterior era de brinquedo. Era um Rui Muleque (da Lifestyle). Não lembro a marca dos eixos…mas as rodas eu acho que eram Sims (Street Pro), algo assim. Nossa…foi fantástico.

A partir daí a evolução foi evidente. Coisas que eu nunca pensava em fazer em cima de um skate começavam a se tornar realidade. A brincadeira tinha dado lugar a manobras mais complicadas e, a cada dia, gostava mais e mais de andar de skate.

Chegou um tempo em que Fabrício (um vizinho), construiu uma mini-ramp no quintal da casa dele. Imaginem o quanto nós andamos nessa pequena rampa. Segue uma foto da época. Eu tinha 13 anos, era magro e (pasmem) tinha cabelo. Era o ano de 1986.

miniramp_1986

Eu andava de skate todo final de semana. Começava sábado às 8 da manhã e só parava para se alimentar e dormir. Quando não dava pra andar, ficava agoniado. Já tinha virado mania mesmo. Mas só quem anda de skate sabe exatamente o que estou querendo dizer. Que época maravilhosa.

Em 1988 eu viajei para os EUA e lá tive a oportuidade de comprar equipamentos gringos, andar nas ruas (que eu assistia nos filmes) e conhecer skatistas americanos (fracos…mas que tinham um nível melhor do que o meu). Essa foi uma das viagens mais marcantes de minha vida. Para um skatista, era a glória.

Além de ter feito a festa na compra dos equipamentos que eu via nas revistas e sonhava em ter, comprei alguns videos. Skatista que viajava e não trazia videos para compartilhar com a galera era um traidor.

videos

Lembro que eu comprei 2 shapes fantásticos da Santa Cruz Skateboards: um Natas Kaupas e um Steve Alba.

shapes

Além disso, comprei eixos Independent (o melhor) e rodas Bullets (da Santa Cruz) e Rat Bones da Powell Peralta. Era o skate perfeito pra mim.

Maravilha total. Insanidade total.
Nessa época minha vida era andar de skate e assistir filmes de skate.
Assistia tanto os filmes que sabia decorado todas as partes, todas as falas, todas as manobras. Conhecia exatamente todos os momentos dos filmes…e se você me perguntar ainda hoje, lembro das letras das músicas e algumas falas de alguns filmes. Loucura, né?

Vejam 3 momentos que marcaram minha vida. Sei que essas sessions serão inesquecíveis pra mim. Apesar de ter assistido isso bem mais de 500 vezes cada parte (sem exagero) eu assistia antes de sair para andar novamente. Era um tipo de inspiração, um mantra, uma religião.

Trecho do Public Domain, com Steve Saiz, Eric Sanderson, Ray Barbee e Chat Thomas.

Uma das maiores lendas que o skate mundial já teve (ou tem): Natas Kaupas. Esse merece um post especial que farei um dia, para contar sua vida inteira. Esse cara simplesmente revolucionou não só a visão do skate no mundo, quebrou paradigmas e tornou-se meu ídolo até hoje. Simplesmente fantástico.

Trecho de um dos filmes que eu trouxe dos EUA – Streets of Fire, da Santa Cruz Skateboards:

Além desses, essa parte de skate vertical me marcou pela trilha sonora. McRad é simplesmente uma das melhores bandas para andar de skate e fazia parte de boa parte dos filmes da Powell Peralta.

Com vocês, Mike McGill e Steve Caballero. De arrepiar.

Saíamos para andar em diversos lugares da cidade: Piatã Skate Park, Parque da Cidade e nas ruas do Itaigara. Andávamos mais nas ruas do Itaigara, pois o asfalto era melhor e haviam diversos locais com obstáculos fantásticos.
Lembro que cada skatista comia uma vara de pão (lá ele) com tubaína na hora do almoço. Descansava coisa de 1 hora no máximo e voltava a andar. Éramos todos fanáticos pelo esporte.

Ao som de Bad Brains, Bad Religion, McRad e tantas outras bandas que ouvíamos naquela época, divertíamos todos os finais de semana, sempre conhecendo novos integrantes para uma turma que tinha como objetivo se reunir para evoluir nas manobras, dar muita risada e sentir a adrenalina rolando por mais de 8 horas seguidas.

Hoje, vejo muitos amigos que pararam de andar (a maioria), alguns que andam de vez em quando e um ou outro que mantem-se fiel ao esporte e anda frequentemente.
Mesmo para os que pararam, falar de skate, encontrar a turma que andava junta, ver filmes, saber as manobras impossíveis que o Rodney Mullen ainda consegue inventar, ver que Natas kaupas ainda anda até hoje, é reviver aquele período sensacional de nossas vidas e que vão nos acompanhar até a morte.

Todos, sem dúvida nenhuma, estão ligados de uma forma ou de outra ao skate. Seja construíndo pistas, como meu amigo Belote, que virou engenheiro e também tem um podcast para falar dessa época (o Das Antigas Podcast), seja jogando Tony Hawk’s Pro Skater no Playstation, seja vasculhando o Youtube e o Vimeo atrás de videos antigos e novos ou simplesmente revendo fotografias e revistas Thrasher da época.

Eu, ainda tenho a mania de simular um fingerboard na minha mão e imaginar manobras enquanto estou distraído falando no telefone. Ainda penso nas manobras que realizaria em um determinado trecho da calçada enquanto o sinal está fechado. Canto os trechos dos videos (falas e músicas) enquanto tomo banho antes de ir pro trabalho.
Jogo no iPod um dos joguinhos fantásticos que descobri recentemente: o Touch Grind – simulador de fingerboard.

O skate vai me acompanhar para sempre. E sei que acompanhará todos aqueles que andaram ou andam até hoje.

Skate é uma religião. E só quem andou entende isso.

Esse post é uma homenagem a todos os skatistas desse mundo. Todos que sabem o que quero dizer logo abaixo:

Sk8 4 Fun, Sk8 4 ever.

7 Comments »

  • o Kent said:

    – “Man você conhece o Laert?”
    – “Que Laert?”
    – “O do STA CRUZ MAN, DO STA CRUZZZZZZZ”
    – “PORRAAAAA, STA CRUZ?????”
    – “É CARA, ele tem dois STA CRUZ EM CASA”

    Era o papo dos newbies da Monsenhor Gaspar Sadock, velhos tempos, bons tempos…saudade!!!

    É nois Laert “vintage” man…é nois

  • Tatiana said:

    Ai que gostoso ler este Post.
    Eu era fanática pelo patins, fazia altas manobras, rampas… além dos tombos grandes que eu tomava de vez em quando.
    Foi assim durante alguns anos da minha vida… chegava da escola, almoçava e saá com meu patins… primeiro aquelas botonas grandes, caderço verde florescente… depois o tal do Roller.
    Achava o skate lindo… tentei durante um tempo ele, mas eu era bem melhor no patins e acabei abandonando-o. rsrs

    Beijo!

  • Tiago Celestino said:

    Comigo foi diferente, mas assim como você, eu coloquei o skate totalmente em minha vida.

    Sempre que via algumas manobras dos ‘gringos’ nos filmes da 411VM, ficava logo pra mandar no Jardim dos Namorados, Pituaçu, Praça Brasil, Praça da Soledade… Claro, me ferrava sempre, mas era massa tentar.

    Infelizmente, por força maior tive que parar para trabalhar, estudar e ai já viu. Mas uma coisa é certa, skate é pra sempre.

    Abs japa.

  • lucas said:

    kra muito loko sua historia
    eu tenho 15 anos ando des dos 12
    to tentando fazer uma mini ramp de madeira mais as madeiras boas sao muito caras entao quero te pergunta se tem como fazer uma de maderite?
    xD

  • eductba said:

    Moro em curitiba , e ganhei meu primeiro skate em 89 era do paraguai rsrsrs nossa um sonho rsrs , ficavamos ate 9horas da noite andando na rua perto de casa, apostando corrida sentado na descida dava duas quadra rsrs ,cara que saudades isso eu so tinha 9 pra10 anos , tinha dois amigos que tinha shape AHOY e rodas ANARQUIA DUMDUM, depois dos 14 ANOS comprei meu skate profi. Mas tinha saudades do final dos anos80, mas os anos 90forao meus melhores anos so de lembrar da uma dor no peito cara , caralho como o tempo passa um abraço a todos os skaters do brasil principalmente os de curitiba ( a to montando um skate com shape AHOY ANTIGO E 2RODAS BULLET e duas MOSKA, forao oque sobrarao na mas dos pia abraço a todoas.

  • Leo said:

    Achei sua publicação e achei o máximo, tenho 36 anos e ainda tenho meu carrinho,você me proporcionou ótimas lembranças, eu ainda sonha com uma viagem como você realizou…
    Um forte abraço
    Skate for fun!!!

  • Laert (author) said:

    Valeu Leo.
    Muito obrigado pelo comentário…a viagem foi realmente fantástica e gostaria de fazê-la novamente.
    Meu filho agora anda de skate e estou realizado por ele.

    Sk8 4 ever, cara! Nunca deixe isso morrer em você.

    Abraço grande!

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