Sobe e Desce

Era uma turista, provavelmente americana, assim pensei.
Na fila de espera para descer o Elevador Lacerda, um dos ícones arquitetônicos da cidade de Salvador, eu a olhava com inquietude. Pois, do alto dos meus 10 ou 11 anos, não entendia a causa de tanta euforia para apenas descer um elevador. Não é comum um elevador?
A pobre coitada pulava literalmente de excitação ao olhar todos ao seu redor, ainda mais na iminência de poder “usar†um monumento daquela cidade que visitava.
Ao parar para pagar a entrada, sacou uns 15 cruzeiros (ou sei lá qual era a moeda…faz muito tempo). O cobrador não conseguiu explicar que era muito dinheiro para descer o elevador. Eu interferi e expliquei que bastavam alguns centavos.
Ela agradeceu enormemente ainda espantada pelo fato de um menino de 10 anos falar sua língua naquela cidade.
Já dentro do elevador, ela olhava para cima procurando registrar todos os detalhes possíveis daquela experiência fantástica pela qual estava passando (ela não tinha câmera fotográfica). E eu, ainda perplexo com tal besteira.
Ao abrir das portas, ela sumiu…provavelmente procurando novas emoções. E nunca mais a vi.
O fato é que me lembrei daquela turista hoje pela manhã.
Eu tenho o Elevador Lacerda à minha disposição mas nunca utilizo-o.
Por não precisar. Por não vê-lo. Por saber que ele estará lá.
Até que o tempo se encarregue de levá-lo, ou a mim.
Hoje, aos 34 anos, entendo a excitação daquela turista que ficou guardada em minha memória.
E talvez não exista uma razão concreta para que eu desça ou suba o Elevador Lacerda.
Apenas a certeza de que tenho que fazê-lo.











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